Análise externa – Capítulo 3

 Apresentando: Ascendente


Além de autora, a Aline é capista. Que absurdo! invejoso



Voltei! Feliz por quem ficou feliz por isso, e sádico por quem não gostou


Então, meus bons... como de costume, entrego aqui, neste domingo, um artigo novo (tô tentando voltar pra rotina ainda). E, também como de praxe, quando eu termino de ler um livro, o artigo é a nossa querida "análise externa".

Esta é a terceira resenha que vou fazer, aqui no blog. Anteriormente, fiz artigos sobre os livros "Aleph: O Guerreiro Oculto" do Lucas Martins (link) e "Paciente 17", da Aline N (link). Este último, por acaso, se tornou o segundo artigo mais acessado do blog, recentemente. Pois bem... pra completar o "quadrado mágico do Skoob" que fez o favor de tirar os grupos e tá demorando mais que retardatário de corrida de trator pra voltar com eles trago hoje a resenha do Livro "Ascendente", da Aline Duarte. E povo... se preparem, porque a coisa é tensa. Aqui vai o link pra página dele na Amazon.

Lembro que quando a Aline fez, no blog dela, a resenha de "Luz da Lua Cheia: Volume 1", ela falou que aquele seria o primeiro contato dela com uma "light novel" (link do artigo). Então... confesso que, nesse caso, a recíproca é verdadeira. Essa é a primeira vez na minha vida que pego um romance para ler por vontade própria. Aliás, é a primeira vez que eu leio um romance seja como for (afinal, eu nunca fui forçado a isso, né?). Confesso que, no começo, até pensei que não ia gostar. Tipo aquele pensamento "ah... um romancezinho adolescente, que daqui a pouco vai ter um draminha, mas vão resolver tudo, ficar amiguinhos, o vilão (se é que vai ter um) vai parar em Tremembé, o casal principal fica feliz, sem traumas e aí no final tem um timeskip pra mostrar a vida deles". Pensem no delicioso soco no estômago que eu tomei, quando cheguei na metade final da história e vi tudo virar de cabeça pra baixo. Até tem alguns dos elementos que eu citei, mas nenhum deles diminui o impacto da trama. Aliás, pelo contrário. E eu vou tentar passar tudo isso pra vocês, sem jogar uma paulada de spoiler na suas fuças.

Antes de ir para o que interessa, ainda preciso falar um pouco sobre os bastidores da leitura. Essa foi, provavelmente, a leitura mais tortuosa que eu tive. Não por conta do conteúdo, obviamente. A questão, é que eu comprei o livro bem no final do ano. E a minha vida virou um caos nessa época. Viajei para o interior, pra passar a semana do Natal com a minha mãe (com direito a temporal com vento, relâmpagos diretos e uma quantidade inacreditável de água, que inundou as ruas da cidade. Sem contar que levou a luz embora com ele. E tudo isso na hora da ceia. O verdadeiro Natal-Sem-Luz). E pouco antes, eu comecei a trabalhar em um projeto que vou concluir em breve (o que sera? Aguardem os próximos artigos...). Aí a minha cabeça, que já não é das melhores por causa do TDAH, foi de vez pro espaço. E sério... meu TDAH tem selo Osaka de qualidade (se você entendeu, quero você como meu amigo). Um exemplo? Comprar coisas no mercado, sair e esquecer as sacolas. Ou então, colocar a mochila no guarda-volumes do mercado e voltar para casa sem a mochila e com a chave do guarda-volumes. Sim, sou uma fera nesse nível lembrando que "fera" e "besta" têm a mesma tradução para o inglês. Mas, voltando ao que interessa, isso fez eu me enrolar completamente. Agora, eu era um cara com um livro pra ler, outro pra corrigir (o volume 2 de LLC) e um projeto que precisa de um encerramento. Então, quando voltei pra casa, tive que matar tudo o que tava pendente pra, aí sim, engrenar a leitura de vez. Pois então... lembra quando eu disse que eu achava que não precisava ficar tão empolgado? É... o descrente aqui terminou a coisa tipo "hein?! Como assim?! Não, cara! Eu não posso dormir agora! Eu preciso de respostas! Qualquer coisa, amanhã, eu vou na UPA, tomo uma bela benzetacil e digo que tô com uma virose. Mas eu não posso dormir, agora! Nem f******!".

Acabei indo trabalhar, mas parecendo uma coruja.

Então, chega de morciliar e vamo pra peleia (se não entendeu, sugiro comprar um dicionário de "gauchês").


Enredo

A história inicia contando sobre a amizade de duas garotas: Clara e Amélia. Elas eram amigas de berço, da mesma idade, e faziam basicamente tudo juntas. Em seu colégio, Clara tinha um interesse romântico eu me recuso a falar crush em um garoto chamado Diego, um rapaz até bem decente, mas que era irmão de um cara da pá virada, chamado Rodrigo. A coisa toda começa durante uma noitada no Furacão 2000 (aguardem a parte da ambientação. Vai ser a melhor parte desse artigo) quando Rodrigo, mesmo sabendo desse interesse do irmão em Clara (eu interpretei assim, pelo menos) resolve tomar a iniciativa e acaba "levando" a menina (nota: isso não é spoiler. Esse é justamente o primeiro capítulo do livro). E, por alguma razão, Diego achou que a resolução dos seus problemas seria fazer o mesmo, digamos, "cortejo", com a A M É L I A. Sim! Você tá de cabeça quente porque seu irmão literalmente pulou na sua frente na fila e tava ficando com a garota por quem você era apaixonado, e aí você resolve que vai esquecer aquela garota, ficando com a melhor amiga dela, o que vai fazer vocês quatro saírem juntos, de casalzinho. O que pode dar errado, né?

Eu sei que alguém vai falar "ah, mas elas se separaram durante a festa. Ele não sabia que elas eram amigas". Mano... elas estudavam na mesma escola! Como que ele nunca viu as duas juntas?!

Daí começa a salada. Amélia se apaixona por Diego. Diego era apaixonado por Clara. Clara era apaixonada por Diego, mas tava mais perdida que tubarão em açude achava que tava se apaixonando por Rodrigo. E o Rodrigo era apaixonado por... só Deus sabe o que. Mas, sejamos justos, tava começando a gostar de verdade da Clara! Aí está a receita perfeita para o caos. A partir de então, os personagens vão passando por vários processos de amadurecimento e conflito interno. Tinha os que tentavam tomar jeito na vida, os que lutavam contra os próprios sentimentos, os que tentavam achar uma saída que não existia... e a Amélia!


Breve desabafo (tentando não dar spoiler): Sim, povo. A Amélia ficou sendo minha personagem preferida dessa história. E eu confesso que tô sentindo um vazio imenso por causa dela. Eu sou do tipo que se apega a determinados personagens (quando gosto deles, óbvio) e odeio injustiças. Só me resumo a dizer que a parte dela na trama me deixou indignado, e eu ainda me sinto perturbado. Vou falar mais sobre isso no fim do artigo.


Protagonista

Apesar de a história mostrar até com grandes detalhes as rotinas dos quatro personagens principais, o centro da narrativa é Clara. Ela é uma menina no final da adolescência, até bem comum. Com atitudes comuns, gostos comuns e uma família comum, apesar do pai vascaíno o que explica porque a vida da filha CAIU naquele drama. Ela é uma estudante não deixa o Capitão Nascimento descobrir isso que gosta da companhia da amiga Amélia, com quem fazia junto praticamente tudo (onde é que eu já vi isso? apesar de que a Amélia não é cabeça de vento). Ela também é uma desenhista extremamente talentosa (o que acaba sendo crucial para o andar da trama), apesar de subestimar a própria capacidade. Outro talento inato de Clara, é o surf. Aliás, quase todos os personagens sabem surfar (vantagens de se morar em uma cidade praiana). Anos mais tarde, Clara aparece morando na França, já mãe de uma jovem adulta chamada Camille (nota de novo: isso também não é um spoiler. Esse timeskip, apesar do momento em que ele acontece, é parte do desenrolar da história. Se eu der mais algum detalhe desse pós timeskip, aí sim vai ser um spoiler gigantesco).

Na adolescência, Clara era uma menina cheia de vida, esbanjando alegria e bastante intensa com seus sentimentos. Já na vida adulta, ela não perdeu a essência, demonstrando um carinho enorme com sua filha e sua família em geral. Sua atitude, no entanto, não era mais a daquela garota serelepe (fruto do amadurecimento? Não sei... ler para saber).

Considero a Clara uma personagem de fácil identificação. Eu me identifiquei com ela? Não. Na verdade, alguma coisas que ela fez me deixaram bem decepcionado (com a personagem, não com a história ou o desenvolvimento dela). Porém, ela é uma personagem humana. Ela comete falhas, tem defeitos e sofre perdas. A vida dela não é perfeita. Tampouco a própria personagem. E eu já disse, uma vez, que é isso que eu gosto em um protagonista. 


nota pqp, mais uma?!: se você leu o primeiro volume de LLC e tá me achando hipócrita por dizer que não gosto de protagonistas que não cometem erros, enquanto a Hikari é "perfeita", sugiro que leiam o volume 2. Tenho certeza que isso vai mudar sua opinião. agora chega de notas, né?! Vamo parar de encher linguiça



Ambientação

Chegamos na parte mais absurdamente incrível dessa história. O principal plano de fundo da história é a cidade de Cerca Grande. Uma cidade fictícia, (até onde eu estudei), mas que seria localizada em Santa Catarina. Há menções a locais existentes, como a já mencionada França e até mesmo a própria cidade de Florianópolis, que embora, no caso desta última, não seja citada nominalmente, o texto deixe mais do que evidente se tratar da capital catarinense. A descrição de Cerca Grande deixa nítida a visualização de uma cidade praiana não muito grande sem trocadilhos com o nome. Porém, o maior trunfo da ambientação não é o cenário de fundo, mas sua época e como ela é descrita. Como vocês viram, acontece um timeskip na história, o que significa que a narrativa da adolescência de Clara é ambientada em uma época passada. E essa época é ela... os anos 90 (holy choir playing). Mais precisamente o ano de 1992 (justo o ano em que eu nasci). A autora não escreve... ela literalmente te coloca dentro do cenário da história. A descrição, detalhada o suficiente pra te mostrar exatamente o visual, mas também concisa o suficiente pra não parecer um manual de engenharia engenheiros, me perdoem. Nada contra te faz visualizar exatamente uma cidade praiana no início dos anos 90. É incrível! Cheguei a postar um histórico de leitura lá no Skoob, dizendo exatamente isso. O cenário do pós timeskip eu não posso fornecer. Probabilidade de spoiler.


Narrativa

A narrativa é feita em terceira pessoa onisciente e, como eu disse no último tópico, bem detalhada. Como a história exige, há um forte uso de linguagem poética e figurativa, descrevendo com precisão os sentimentos dos personagens e fazendo analogias compreensíveis, sem parecer uma charada do Mestre dos Magos.

Destaque também para as falas dos personagens, feitas em linguagem não-coloquial e com uso de gírias relacionadas à época e aos costumes da região ambientada.


O que eu achei?

Cara... como eu disse, essa é a primeira vez que eu leio um romance. Apesar de gostar de escrever dramas, eu sempre fico tenso quando um personagem alheio (aliás, até os meus, por vezes) passa por alguma situação mais pesada. E a história entrega o que promete. Romance, drama, vida cotidiana (popular slice of life)... mas, como eu disse lá em cima, a personagem Amélia fez eu me sentir muito mal. Não por ela ser uma personagem ruim, ou uma "vilã". Pelo contrário. Não posso ficar me alongando, pra não dar spoiler. Nem desabafar mais do que isso! Só digo que eu realmente ainda me sinto triste quando lembro da personagem.

Aliás, breve nota (tá essa aqui é diferente) para falar da playlist da autora. Aparecem duas playlists ao longo da história. E elas são ó... o fino! Isso sem contar as menções a outras músicas que acontecem durante a narrativa.

Em conclusão... sim! A história é realmente boa, e conforme vai passando, também vai te prendendo cada vez mais. Como eu posso dizer que a história é boa, depois de falar que a minha personagem favorita me deixou tão mal? Simples! Minha filosofia é a de que "história ruim é aquela que não te faz sentir nada". Ou pior, sentir sono. Se eu dormi lendo essa história, foi só porque dependo de comprimidos de melatonina pra pegar no sono. E aí não há ser-humano normal que resista. Mas, sim! Se você gosta de romances dramáticos, essa é uma forte sugestão. Vale muito a pena (link para a compra, novamente).


Antes de declarar os trabalhos encerrados, gostaria de anunciar que "Luz da Lua Cheia: Volume 2" já está disponível para compra, desde ontem! Não percam tempo e aproveitem. Juro que não vão se arrepender. Links abaixo:


Então é isso por esse domingo. Semana que vem, se nada sair dos trilhos, nos encontramos por aqui, de novo!

Espero vocês, e não esqueçam de ler o volume 2!


Blogs Parceiros

Aline Duarte: Pense Repense
Lucas Martins: Blog do MartinsVerse

Comentários

  1. Olá Shinato, ótimo post. Ascendente me pegou de surpresa também, sempre achei que romance era só conversa, briguinha por ciúme, quem pegou o namorado de quem kkk por isso nunca me chamou atenção. Mas a história da Ali me surpreendeu e também me peguei querendo ler "só mais um pouquinho" mesmo sendo tarde kkk Compactuo com o mesmo sentimento em relação a Amélia 😔 Eu simplesmente não acreditei quando li, foi um choque. Enfim, já li, e super recomendo essa história, não só por que é da Ali, e sim por que realmente vale a pena ler.

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    1. Opa, Aline! Pois é! Teve tudo que eu não esperava. E o modelo de linha do tempo da narrativa que ela usou tbm foi inédito pra mim. Não só terminei a leitura satisfeito, como surpreso (e revoltado rs). É um livro pra se discutir sobre. Aliás, até pensei em fazer uns tópicos do tipo lá no Goodreads, já que o Skoob tá se amarrando (eu vou encher o saco deles até os grupos voltarem kkkk), pra discutir livros que a gente leu (aí sim com alerta de spoiler). Enfim, vale muito a pena mesmo, dar uma chance. E espero que quem leia esse blog faça isso! Obrigado pelo comentário e passa aqui quando quiser XD...

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    2. Gente esses comentários só me enchem de um calor quentinho gostoso, obrigada demais por compartilhar o que vocês pensam sobre minha história 😍💞🌊✨
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      E vamos falar sobre sim! Respondo sobre o que vocês quiserem, me contem as teorias da conspiração que imaginam, linhas do tempo se as coisas fossem diferente... Quero saber tudoo!!

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  2. SHINATO O QUE É ISSO?! Que perfeição!! Eu amei a sua resenha descrevendo o que o leitor vai encontrar e seu cuidado para não dar spoiler. Eu estou amando a reação de vocês durante a leitura obrigada por compartilhar também!
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    Gente, vocês são demais, estou amando as resenhas, não quero chorar na segunda de manhã no trabalho 🤧🤭 agora sim, vamos continuar!
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    Sobre seu Natal sem Luz, um trocadilho e tanto, adorei. E sobre a referência EU ENTENDI A REFERÊNCIA kkk isso é quase um milagre, mas eu to com um pé na ásia ultimamente, então acho que isso ajuda.
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    No mais, obrigada de coração pela resenha, e como sempre sucesso ao seu blog! LLC2 já está na minha biblioteca esperando a sua vez (não sei porque eu imagino a Hikari de uniforme escolar esperando sentadinha balançando as perninhas).
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    Abraço, e gratidão!!

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    1. Hehe! Então, acho que eu fui sincerão até demais. Mas essa questão de não dar spoiler é uma coisa que eu tento fazer ao máximo. Quero deixar quem ler sabendo o que vai encontrar, mas não o que vai acontecer. Só dar aquela atiçadinha no hype rs,

      Pode ter certeza que esse natal foi inesquecível, seja como for! Pelo menos a gente entendeu como funcionava o processo antes de descobrirem a luz elétrica. Sobre a referência, fiquei ainda mais feliz que você entendeu. Um leitor atento aos detalhes é tudo o que eu quero e o que eu acho que uma boa obra merece.

      Ah... você antecipou um acontecimento futuro da história. Quero que quando você ler o vol.8 volte nesse comentário pra entender (falta pouco rs). Sucesso para nós todos!

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