Você corre, se escabela, trava, quase desiste, mas o resultado final...
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| Escrever exige toda essa concentração que ela tem |
Amigos, aqui está o primeiro artigo do ano, a não ser que você considere aqueles dois anteriores como artigos. Pra mim, foram apenas anúncios.
Seja como for, é a primeira vez este ano que entro no Blogger para discorrer sobre alguma coisa. E a tal "coisa" vai ser a minha experiência escrevendo uma série.
Recentemente, a Aline N, do blog parceiro "Suspense em Palavras" (link dos blogs parceiros no fim do artigo) fez um artigo sobre como foi escrever a trilogia dela, "Mentes Silenciosas"(link do artigo), sobre a qual eu já li o primeiro livro e aguardo ansiosamente para ler os outros dois (saudades Elena sua p#@*!%). Me identifiquei com a jornada dela, mesmo que ela tenha levado bem menos tempo do que eu, pra terminar o processo.
O que quero dizer, é que, seja como for, escrever uma história que terá mais de uma publicação, seja por volume, trilogia, coletânea... o que quer que seja, exigirá perícia do autor, por conta daquela tecla na qual eu tanto bato, aqui no blog: coerência com os fatos já apresentados, ou com a proposta do universo. No caso dela, o primeiro livro já foi uma porta de entrada excelente, porque, sem spoiler, deixou um gancho perfeito para uma continuação, além de deixar claro o objetivo da história, mas também, funcionando mais do que uma simples introdução ao mundo, diferente do que foi "Luz da Lua Cheia: Volume 1", por exemplo. Claro que também se deve levar em conta os estilos de escrita e a montagem da história. Como a saga da Aline é uma trilogia, é natural que o primeiro livro já tenha a "ação prática", pois a autora teve somente três livros pra dizer ao que veio, diferente de LLC e seus vários volumes, onde eu usei o primeiro volume mais como enciclopédia, usando os personagens para apresentar as regras básicas do worldbuilding e guardando a ação pra mais tarde, focando no treinamento. Assim, além de dar o "cartão de visitas, também consegui mostrar a Hikari "pegando no pesado" pra não fazer ela parecer aquele tipo de protagonista que grita e "pronto! Sou invencível!", e evitei ao máximo fazer a tal da "ação forçada". Afinal, não fiz uma história de lutinhas, mas sim, uma aventura fantástica sobrenatural, com drama, suspense, e lutinhas (note a diferença).
Mas, chega de enrolação. Então... esse artigo da Aline me inspirou pra não dizer que eu copiei na cara dura a contar um pouco do que eu passei pra planejar, redigir e lançar essa coisa toda, que eu tanto amo!
Já falei em outro artigo sobre o que me deu a inspiração pra criar a temática da história. Isso, ainda lá em 2019. Passei uns bons meses usando o que eu imaginava da história pra ocupar minha cabeça nas noites de tédio (quando tinha alguma). Pois é... apesar de ser segurança de um shopping durante a madrugada, havia noites que eram bem movimentadas. Seja pelos salões de festas de uma das lojas, que os alugava para eventos que iam até quase o amanhecer parte 1 e 2 (desculpem, não resisti à piada), ou por reformas em alguma loja ou até na estrutura do shopping. Mesmo assim, utilizava quase todo o tempo livre pra imaginar aquilo. Até que, então, chega 2020, e com ele, aquela praga que entrou sem ser covidada.
Se por um lado as restrições da pandemia acabaram com o movimento do shopping, pelo outro ela trouxe, além de toda a desgraça que foi, um tédio infernal. Eu chegava no serviço, e tudo já estava fechado. Cheguei a ser afastado por duas semanas, logo no início, pois estava no grupo de risco (sou asmático), o que não adiantou muito pra nenhum dos lados. Tanto não me livrei da doença (acabei sendo infectado no ano seguinte, pouco depois de sair desse serviço), quanto tampouco do marasmo. Aliás, foi até pior, porque, no começo do caos ainda tinha mais movimentação. Mas, quando eu voltei, a coisa já tinha apertado de vez. A nossa equipe já chegava com o shopping inteiro fechado. Então, eu tinha literalmente 5 andares de estacionamento pra não faz absolutamente nada. Foi aí que eu tive a ideia de passar minha imaginação para o papel. Ou, melhor dizendo, para o bloco de notas de um Galaxy J1 Mini (jamais será esquecido, grande guerreiro). Eu literalmente me escondia pra escrever. Afinal, não tinha nada pra fazer mesmo.
De início, minha intenção era apenas escrever pra mim. Ou seja, só ia fazer aquilo pra matar tempo. Mas, por alguma razão. eu parei no capítulo 16 e meio que abandonei a escrita. Aquela não foi uma época fácil, e eu me sentia desestimulado. Eu tinha tudo que eu queria escrever na cabeça, mas parecia que eu tinha sofrido uma lavagem cerebral (sentimento comum entre pessoas que trabalharam no mesmo local que eu) e não me importava com mais nada. Mesmo assim, nunca disse pra ninguém (lê-se minha esposa, que era a única que sabia) que eu ia parar de escrever. Ainda ficou aquela brasinha acesa, só esperando pelo combustível. E ele veio de uma forma que eu não esperava.
Depois de dois anos, eu já tinha recebido a benção de sair daquele shopping, o que fez mal para o meu bolso, mas reviveu minha cabeça. Eu estrava trabalhando em um depósito relativamente perto da minha casa. Digo relativamente perto, porque levaria 5 minutos de carro até lá, mas gastava 40 caminhando. Sim, eu trabalhava em um emprego onde fazia toda minha atividade caminhando e ainda ia trabalhar andando 40 minutos. E foi nesse cenário que aquela brasa da qual eu tinha comentado começou a esquentar de novo. Mais uma vez, graças àquele que se tornou o meu maior parceiro de produção, naquela época: o tédio. Caminhar 40 minutos sem fazer absolutamente nada era um saco. Assim, minha imaginação começou a pipocar de novo e lá fui eu, escrever nas horas vagas.
A partir daí, entrei mais na "fase técnica" do processo. Fiz modificações em relação aos manuscritos originais pra que a história fluísse melhor, lia os capítulos antigos conforme escrevia os novos, sempre buscando erros de escrita ou de continuação, criava as fichas dos personagens, fazia mais algumas adições, ou até subtrações, quando notava que poderia enriquecer a história (sim, muitas vezes cortar algo pode melhorar a história. Aprendi isso ao longo do processo)... enfim, questões que ajudaram a solidificar o universo.
Voltando a falar dos desafios, certamente um dos maiores é criar uma personalidade marcante para o seu personagem, sem fazer ele parecer forçado ou caricato, aplicando somente o que é "necessário". Sendo sincero, não me chama a atenção um protagonista "não-humano". Quero dizer, aquele tipo de protagonista que, do nada, desenvolve uma habilidade e já na passagem seguinte o cara é um semideus, sem qualquer esforço ou treinamento, como se já tivesse nascido sabendo usar aquilo, mesmo nunca tendo usado antes. Sei que a Hikari é tratada como um talento em potencial, mas o próprio volume 1 trata de deixar explícito que ela ainda tem muito a desenvolver, além de detalhar o treinamento, passando o recado de que se ela quer se tornar o prodígio que alguns veem nela, vai precisar fazer esforço. Outra coisa da qual fugi, foi dos antagonistas que são maus "porque são". Pra mim, a melhor parte de um vilão é justamente saber o que levou ele a ser daquele jeito. E é por isso que eu tenho paixão por prequelas. Apesar de assistirmos já sabendo o resultado final na série original, elas nos mostram detalhes que passaram despercebidos durante a saga principal, o que por muitas vezes, humaniza o antagonista, mesmo que não o redima. Personagens secundários sem personalidade e que só estão no enredo para "fazer volume" também não são a minha praia. Em relação ao meu gosto, não lembro de uma boa história que foi movida por apenas um herói e um vilão. Sejam maiores ou menores, todas as engrenagens precisam funcionar pra fazer o relógio andar.
Recentemente, fiz um artigo sobre a personagem Kayo Morishima (link). Ela, provavelmente, é a personagem mais "extrema" da obra, em personalidade. Ri quando está feliz, grita quando está com raiva (e até quando está feliz, às vezes. Ela é bem escandalosa), não deixa ninguém quieto, está sempre se entupindo de bolinhos de chocolate. Mas, ainda é uma personagem com falhas e preocupações, como o seu complexo com a idade que a faz tratar mal garotas mais jovens quando as conhece. Também mostra não se importar com a solidão, caso não esteja somente com os "de verdade". Seus diálogos sempre são carregados de sinceridade, alegria ou sarcasmo, mostrando até um tom impositivo nas falas. Essas características diferenciam ela dos demais personagens apresentados no volume 1. E, se parar para prestar atenção, cada um deles tem uma característica única em relação aos outros. Tenho um artigo falando sobre personagens, que aliás é o mais visto do blog, até agora (link).
Também me dediquei a fazer as ilustrações e as capas, sendo este, talvez, o maior desafio de toda a jornada. Não sei desenhar. Nunca aprendi. Mesmo os meus stickman parecem uma experiência malsucedida. Poderia ter contratado um ilustrador, mas preferi comprar comida pra não morrer de fome. O jeito foi partir para o improviso. Um celular, um app de criação de imagens de inteligência artificial, e outro aplicativo de edição de imagens. Fui aprendendo os macetes de cada um (até ali, nunca tinha usado nada de IA), usando a imaginação, e... taí! Confesso que um dia tenho o desejo de fazer um trabalho mais profissional. Aí sim, vou atrás de um ilustrador.
Enfim... escrever e trabalhar nos detalhes em geral foi uma experiência gratificante. É o meu trabalho que está ali, sendo comercializado, seja como for. A minha imaginação colocou tudo aquilo em prática. Ter alguém lendo o seu livro é como dar permissão para que conheçam sua mente. Foi uma jornada de maturação, início, quase desistência, retomada, aperfeiçoamento e acabamento. Escrever Luz da Lua Cheia definitivamente estabeleceu a escrita como um dos meus hobbies. Espero conseguir lançar mais trabalhos no futuro. Afinal, fazer o que te dá prazer faz o resultado final melhor, tanto para quem consome, quanto para quem cria.
E é isso por esse domingo. Não esquece de pular lá na Amazon e garantir "Luz da Lua Cheia: Volume 2" na sua biblioteca. Se ainda não leu o primeiro volume, não perde tempo.
Me ajuda aí, parceiro!!
Até semana que vem...

Olá Shinato. Esse artigo ficou muito bom, apesar de já saber um pouco do "Por trás das câmeras" da sua história, ler o artigo completo dá mais claridade a respeito da complexidade e do empenho que você dedica a cada personagem, cada página da sua série no geral, e isso por si só já é um talento e uma conquista a ser comemorada, parabéns. Ri muito com você explicando que não estava copiando meu artigo kkkk Nem esquenta com isso, cada um de nós tem o direito de falar do nosso trabalho, do processo de escrita, dos desafios e das conquistas durante essa longa jornada, e poder registrar isso nos nossos blogs além de ser um privilégio é um direito só nosso. O artigo ficou incrível, e fico feliz em saber que o amor pela Elena continua vivo. Desejo sorte na sua jornada, em todos os seus lançamentos e próximos projetos. Escrever uma série requer coragem e você deu o primeiro passo, e seguirá com os próximos rumo ao sucesso!
ResponderExcluirOpa, Aline! Fico feliz que vc tenha gostado do artigo, pq eu realmente me inspirei no seu, mas fiz do meu jeito. Pois então... eu sempre digo que criar os personagens é a parte mais complicada, mas também a mais divertida do processo. Amo imaginar as 1001 possibilidades de compor um personagem. E sim! Não tem como esquecer a Elena. Tô ansioso pra saber o que acontece e o que aconteceu (já falei que eu amo prequelas, né rs). Sucesso sempre, até sua obra chegar ao reconhecimento que ela merece.
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